A primeira leitura do Evangelista de São Mateus, ao tratar a respeito do jovem rico que lhe fez a seguinte pergunta: O que farei para conquistar a vida eterna?
Ao iniciar 2026, a leitura deste evangelho, logo no primeiro dia do mês de Janeiro, a passagem entre o ano 2025 e agora estando em ano novo, a qual o pensamento de inúmeros cristãos que visam ser milionários e ou pular por sete vezes as ondas do mar, para conquistar a prosperidade puramente financeira, passou a ser o ideal numa identidade semelhante ao jovem rico que perguntou a Jesus como poderia conquistar o paraíso.
O individualismo em torno da materialidade financeira ditada pelo Mercado para que o sentido da obtenção das riquezas seja o comando dos cristãos envolvidos em apostas e o bem de encontrar no mecanismo da exploração econômica como meio de felicidade humana, assim, no dia 31, da passagem de um ano que vai se terminando e iniciando outro, na repercussão de práticas de simpatias, superstições, o uso de rituais de outras religiões, a leitura de salmos e orações com vistas à prosperidade.
Na prática do calendário juliano, o Natal Ortodoxo se celebra no dia 7 de janeiro, estamos no tempo natalino em que Jesus nasceu numa majedoura, local humilde, com a presença de animais e posterior visita dos magos do Oriente e pastores pobres do campo. Ainda, nos atrevemos a afirmar o Santo Evangelho de São Lucas, no capítulo 4 e versículos 18 a 19: "O Espírito do Senhor, me ungiu e consagrou com óleo da unção, para anunciar a Boa Notícia aos Pobres". A proclamação deste evangelho demonstra a missão do Filho de Deus e da Igreja, dado essa preferência opcional.
Entre o Cristo-Criança pobre e o jovem rico, haveria um forte abismo social e econômico; um teria nascido de uma forma desumana e rejeitado, lembrando o nascimento de crianças pobres nas periferias do mundo, enrolado por qualquer pano, até saco, envolto com pessoas desconhecidas e até próximo de animais, enquanto, os filhos ricos nascem em clínicas particulares em apartamentos de luxo, com todas as condições necessárias, sem passar frio e fome. O exemplo pior se encontra em hospitais públicos, assim como, acontecido do ISEA, uma maternidade pública da cidade de Campina Grande-PB, que infelizmente foi envolvida em casos de morte no nascimento de crianças por negligência médica ou irresponsabilidade, até hoje sem uma solução propícia.
Vivenciamos descasos do Estado no enfrentamento com a fome, as doenças endêmicas, com famílias que ainda os trabalhadores sejam mal remunerados com um pífio salário-mínimo de R$ 1.621,00, que está fora da realidade da maioria, discordando dos pressupostos da Constituição Federal.
A ideia do sofrimento dos pobres permanece acontecendo e apontam o engano do empreendedorismo, forçando a trabalhos forçados e a independência do regime das leis trabalhistas a gosto da intenção do Capitalismo Financeiro e Especulativo, assim como, acontece com a economia estadunidense e a crise que perpassam no momento, com elevado número de indigentes nos municípios norte-americanos.
Novamente a teoria das vantagens e riquezas estão envolvidas com a intenção das classes dominantes e interesses das políticas neofastizantes, contradizendo com as mensagens de Jesus, que mencionou a busca em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, ao contrapor a posição econômica de inúmeros jovens sem raízes na história do mundo, um perigoso caminho da felicidade.
O fortalecimento de um tipo de Cristianismo, baseado na moral e no legalismo, sem amor ao próximo e compaixão, distante do Evangelho da Oração de Jesus, no capítulo 17 do Evangelho de João: "Estamos no mundo, mas não pertencemos a ele", trocado pela expressão, "Queremos dominar o mundo e estar nele". Está é a característica do modelo cristão de vida social, do "amor a si mesmo", voltados a seu próprio interesse, uma igreja sem a igreja (sem sentido de assembleia e o bem comum).
Aquele que continuar pensando na Igreja - Comunidade e Coletivo e no amor ao próximo são fortemente criticados ou cancelados nas redes sociais, são considerados demoníacos, por ser contrários ao pensamento montado por esse tipo de cristianismo baixo, dominante e ligado a prosperidade do século XXI.
Vale na atualidade a versão cristã do jovem rico, que vem se expandindo em todo o mundo com o seu convencionalismo das coisas exteriotipadas, das aparências e fenômenos do momento, a religião do Mercado, normalizado o mal entre os crentes, com o grau de normalização e perversidade jamais presentes na sociedade.
Não basta estar nas liturgias de uma Igreja, glorificar o nome do Senhor nos altares e púlpitos, não roubar,não matar, não furtar, não cobiçar, mas falta a essência de uma fé voltada a doação recíproca que não encontramos nos ricos, a entrega de seus bens totais aos pobres. Aqui, não é só um ato de caridade social, mas uma verdadeira crítica a exploração ocorrida na sociedade escravista, que se faz contextualizar em nossa realidade, a igualdade de condições e o fim do espiritualismo burguês, pois é mais fácil, um camelo entrar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.



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