Mensagem de Sua Beatitude Patricius Maximus I para o Natal Ortodoxo de 2025.

Em nosso calendário juliano, hoje comemoramos o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que foi chamado "nazareno", natural de Nazaré, uma cidade relevante na Palestina, devido a sua  infância, a moradia de José, o Carpinteiro e de Maria. 

É preciso compreender a natureza de seu nascimento, antes, durante e depois, assim utilizaremos o método metafisico no entendimento histórico-crítico e reflexivo-gramático a respeito da pessoa de Jesus e relatarmos a opinião de São João Crisóstomo - um dos Pais da Igreja Indivisa. Logo, no capítulo 7, do Livro do Profeta Isaías, no versículo 14, menciona "eis que a jovem está grávida e dará à luz um filho e dar-lhe-á o nome de Emanuel..." já anunciava o nascimento do Filho de Deus e o significado do nome do Cristo, O Messias enviado, assim como, está escrito no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o evangelista Mateus, no capítulo 1, versículo 23, repetindo a mesma citação do profeta, portanto, Emanuel é "Deus-conosco". Ele na verdade está em nosso meio, vivo, habitante entre nós na Terra.

Ainda, "o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria. Multiplicaste o povo, deste-lhe grande alegria; eles alegram-se na tua presença como se alegram os ceifadores na ceifa, como se regozijam os que repartem os despojos. Por que o jugo que pesava sobre eles, o bastão posto sobre seus ombros, a vara do opressor, tu os despedaçaste como no dia de Madiã"... (Is 9:1-6)

Relembramos que o nascimento de Jesus, apresentado pelo o profeta Isaías, representa o verdadeiro sinal da libertação do povo de Deus. Esta posição profética não nos parece simplória, pois está afirmando que nem o Êxodo com relação ao Egito e nem a Babilônia, foram libertos do poder opressor e da escravidão, de fato, o termo que define a pessoa de Jesus foi traduzida no contexto da liberdade social, política, econômica e cultural. 

Para Isaías, Jesus configura o ideal messiânico do próprio Israel, não mais na condição de uma nação, mas na consolidação da formação da Igreja de Cristo que veio com o próprio Filho de Deus, uma nova Israel, pois tudo passará, serão coisas do passado, mas se estabelecerá um Reino, semelhante ao Rei Davi, a qual reinado apresentará características simbólicas conforme o seu nome: conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-para-sempre, Príncipe da Paz, firmado e consolidado, tanto no direito, como na justiça e assim eternamente. 

Jesus é o Nosso Salvador e o Nosso Senhor desde antes, muito antes das profecias de Isaías, assim afirmou o Evangelista João: " No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam" (Jo 1: 1-5).




Deixa-nos felizes sabermos que Jesus é o Rei da Glória, pois o seu nascimento, trouxera a essência do seu nome "O libertador de Israel", na verdade, é o salvador do mundo, vindo para toda a humanidade, não apenas ao povo determinado do Antigo Testamento, já consolidado nas palavras do Santo Profeta, o próprio santuário de Deus, pedra de tropeço e rocha de escândalo, sendo confirmadas nas palavras de Simeão, no Evangelho (Lc 2: 33-35). 

O relato específico de São Mateus.

Mateus, preocupou-se em apresentar a relação genealógica de Jesus confirmando como descendente de Abraão e do Rei Davi, contando as 14 gerações antecessoras ao Filho de Deus. E que em seguida, confirma a participação da virgem Maria.

Além disso, o nascimento de Jesus acontece na cidade de Belém, lugar onde surge um censo público sob a determinação do Imperador Romano da época, citando a chegada dos magos do oriente à Jerusalém. Tais magos não foram apresentados pelo evangelista como reis, que na verdade eram mestres na astrologia oriental, relacionados a Pérsia, Babilônia e a Arábia do Sul, com base na posição de uma estrela que indicava o local do nascimento de Cristo.

Mateus afirma que Jesus teria nascido numa casa, diferente da narrativa de Lucas, que viram o menino e o homenagearam com os seguintes presentes: ouro, incenso e mirra. 

Segundo os Pais da Igreja, o ouro significa, a realeza de Cristo, Jesus é o verdadeiro Rei; o incenso, representaria a sua natureza divina, pois Ele é o Messias, o Filho de Deus, ou seja, o Deus-menino.

Outro importante relato do Evangelho de São Mateus, trata-se da perseguição do Rei Herodes, que procurou saber a respeito do menino, pois tinha claro objetivo de assassiná-lo. Os magos foram avisados em sonho a respeito da intenção do ganancioso rei. Já José é avisado também em sonho para que fuja em direção ao Egito até o falecimento do referido rei.

Um detalhe histórico relevante a respeito de uma possível data do nascimento de Jesus que afirma a sua natalidade no tempo do Rei Herodes, segundo alguns especialistas, ocorreu por volta do ano 5 ou 4 a.C., por um erro antigo, a era cristã começa alguns anos depois do nascimento de Cristo, porque Herodes reinou entre 37 a 4 a.C.. O seu reino acabou por abranger a Judéia, a Idumeia, a Samaria, a Galileia e a Pereia e outras regiões para o lado de Aurã. 

O relato de São Lucas.

São Lucas inclui detalhes na história do nascimento de Jesus, ao mesmo tempo o seu texto parece histórico e glorioso, afirmando o Jesus místico, sua narrativa em parte se diferencia com os relatos do evangelista Mateus. 

Uma das razões para que a sua narrativa não incluísse alguns dados mencionados no Evangelho de Mateus era o fato dele não ser um dos 12 apóstolos de Jesus, mas um discípulo erudito com base no ministério pastoral de São Paulo, por isso, optou, com cuidado em apresentar a história do nascimento de Jesus, a partir das informações que obteve de sua própria investigação, como afirmou ao Teófilo.

Alguns elementos de sua narrativa inicial encontradas na leitura do Evangelho de Lucas são relevantes indicarmos:

a) antes de citar propriamente a história do nascimento de Jesus, Lucas teria valorizado o seu precursor João Batista, da mesma forma, com o anúncio do mesmo anjo, trata-se de Gabriel;

b) Para o anúncio feito pelo anjo Gabriel à Maria, verificamos os seguintes dados:

I) Que Maria é de fato "virgem",  e em outro "não conheço homem algum", caso não fosse, o evangelista Lucas jamais teria mencionado;

II) Que Maria foi agraciada, recebeu a Graça do Espirito Santo, foi santificada pelo anúncio e pelo ventre, cabendo a ela o título de Bem-aventurada, bendita entre as mulheres e o seu fruto. A relação Maria e o Filho unem a divindade nas duas naturezas, com isso, Maria será tanto, Theotokos, a mãe de Deus, que se fez carne e habitou entre nós (substância essencial divina), como Cristotokos (mãe do Filho de Deus, isto é, Jesus, a sua pessoa),conforme disse o anjo: "Para Deus nada é impossível";

III) Maria se manifesta grata e serva do Altíssimo e por essa razão, entoou um hino, a qual denominamos "Magnificat" ( O canto de louvor de Maria). No cântico, Maria expressa que está de acordo com a vontade de Deus, reconhecendo a sua pequenez e condição humana, declara a sua santidade por gerações. Que Deus e o seu poder é misericordioso; a sua misericórdia, partindo do nascimento de seu Filho, representa o seu amor com a humanidade, estendendo-a de geração a geração, ou seja, eternamente. Vê uma clara oposição as classes dominantes e os poderosos de seu tempo, aqui Lucas manifesta outra visão do profetismo mariano: uma opção preferencial pelos pobres e por aqueles que passam fome e vivem na miséria (o lado profético de Maria).

IV) O próprio Zacarias e pai de João, proclamará um canto, uma espécie de bendito, ao usar a linguagem popular, menciona a libertação dos oprimidos anunciada desde os tempos dos santos profetas, que estabelecerá o caminho da Paz, considerando a atividade do precursor, na preparação deste caminho;

Para o nascimento de Jesus, propriamente dito, o Evangelista São Lucas, mencionará o censo romano, por decreto de César Augusto (Imperador), citando Quirino, o governante da Síria. Através do decreto que José irá com a sua esposa Maria já grávida perto de dar a luz à cidade de Belém.

Lucas relata precisamente que ao dar a luz, Maria envolveu o corpo de Cristo com faixas e o colocou numa manjedoura, confirmando que não houve condições para encontrar um lugar apropriado para o nascimento de Jesus. O evangelista menciona que Jesus teria nascido numa Katalyma, ao invés de um albergue, que pode designar, uma sala, onde morava a família de José. Algumas passagens bíblicas vieram provar, que a sala, a qual referimos, trata-se de uma estrebaria, um local de uma casa em que habitavam animais, pois a crença veio do próprio profeta Isaias (Is 1:3).

Ao relatar a respeito da visita de um grupo de pastores ao local onde estava Jesus, Lucas, teria mencionado o momento do anúncio como se fosse uma celebração angelical, um cântico entoado pelos anjos, assim melodiavam: " Gloria a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade". No mesmo relato, os pastores foram avisados que o menino estaria enrolado em panos numa manjedoura.

Por curiosidade no Evangelho de Lucas não relata a visita dos magos do Oriente, talvez fosse esse um dos cuidados do escritor, somente mencionar fatos de sua pesquisa, apenas acrescentou a apresentação de Jesus no Templo, a qual foi circuncidado, obtendo a admiração dos profetas Simeão e Ana. Após a cerimônia, seguiu normalmente a sua vida, portanto, no texto não surgiram as narrativas sobre a perseguição do Rei Herodes a querer matar Jesus e nenhuma fuga ao Egito, conforme relata o Evangelho de Mateus.

Somente a Santa Tradição e alguns evangelhos apócrifos que confirmam os nomes dos magos do Oriente.


Os acontecimentos relatados nos Evangelhos e a sua mensagem de São João Crisóstomo.

Em resumo a posição de São João Crisóstomo apontam para a crise religiosa que atualmente enfrentamos no mundo contemporâneo, ao fato dos próprios cristãos não seguirem a pureza e uma espiritualidade baseada na fidelidade ao exercício espiritual da Graça do Espírito Santo, ou seja, seguimento da vivência do Espírito, conforme está na opinião do Apóstolo Paulo. Daí partiu a necessidade das Sagradas Escrituras, mas imitarmos os pagãos em suas práticas ordeiras.

Crisóstomo, cita toda a História da narrativa do Antigo Testamento como exemplo do nosso comportamento diante da vontade de Deus, ora se buscássemos seguir o Espírito Santo, não precisaria criar obras, pois o próprio nos guiaria pelo caminho correto, pois a nossa desobediência nos conduzirá sempre a necessidade de uma obra escrita.

Nem mesmo aqueles que se consideravam o Povo de Deus reconheceu os dons anunciados pelos Apóstolos de Jesus, considerando-os loucos e perdidos. Os apóstolos vinham evangelizando por todas as nações, a obra do Evangelho, a Boa Nova, assim como o Evangelista Lucas, com o objetivo de proclamá-lo aos pobres, a libertação aos penados, a liberdade aos oprimidos, a cura dos doentes e cegos, o perdão dos pecados, a ressurreição de Jesus, entre outros objetivos elaborados pelo autor.

A possibilidade da Palavra Divina ser anunciada por toda a Terra, aos povos que nunca ouviram a mensagem de Jesus - a Graça e a sua superioridade com relação aos elementos fundamentados pelos intelectuais e sábios do mundo, assim valorizam as riquezas materiais em contraposição ao verdadeiro tesouro espiritual, assim a solidariedade, a fraternidade, o amor ao próximo, a renovação do ser em si, a cura de nossa mente e das dores da alma, toda a liberdade oferecida em sua essência.

O conhecimento de Jesus, o filho de Deus partiu da bondade dos escritores dos evangelhos de acordo com a realidade local e comunitária, assim escreveram. Mateus, para os cristãos de Jerusalém. Marcos, na apresentação do Ministério de Jesus, já em Lucas, verificamos que era um erudito, seria metódico naturalmente, tendo cuidado com a apresentação correta dos dados pesquisados. João, inicia com base metafisica, filosófica e teológica, por que não afirmar, a pedido de cada uma das comunidades. Em nenhum houve factoides, agressões ou contradições, respeitando cada evangelista e seu papel contemplado nas obras do Novo Testamento.

Por isso, não houve qualquer contradição textual nos Evangelhos de Mateus, Marcos Lucas e João, porque foram obras necessárias que serviram ao combate as mentiras criadas na época por grupos heréticos, que tentaram desmerecer a verdade.

Por fim, imitar o comportamento de outras pessoas, inclusive pagãs, que não conhecem a verdade, demonstra a necessidade em seguir o caminho normativo encontrado em publicações que se fazem necessárias, quando não damos ouvido a voz do Espírito Santo.





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